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sexta-feira, 8 de fevereiro de 2019

Para que serve a História? Por que os alunos do Século XXI devem estudar História? (*)

(*) Texto escrito por Joelza Ester Domingues, originalmente publicado no site Ensinar História no dia 28 de novembro de 2018. Para ver o texto conforme publicado no site de origem, clique aqui.

No mundo de hoje onde o foco é o presente e o futuro, a História é vista como um conhecimento praticamente dispensável para a vida e o mercado de trabalho. Para quê estudar coisas que aconteceram há muito tempo? Que importância tem a História no currículo escolar e na vida prática? Os historiadores não salvam vidas como os médicos, não constroem edifícios, pontes ou rodovias, não prendem criminosos, nem apagam incêndios e sequer inventam equipamentos eletrônicos ou remédios para a cura do câncer. Enfim, qual a importância em estudar o passado diante de tantas necessidades do presente?

Com todos esses questionamentos contrários à História, ainda assim essa ciência atrai muita gente. Não somente estudantes, mas, também profissionais com carreiras consolidadas que decidem voltar à faculdade para fazer História. É possível que o interesse imediato desse público seja conhecer o passado, o que parece óbvio, mas essa não deveria ser a única razão para alguém estudar História. Há muitos outros motivos, menos tangíveis e imediatos do que os de outras ciências, mas indispensáveis para se estudar História, como comentaremos abaixo.

Que passado a História estuda?

Conhecer o passado é da natureza do conhecimento histórico. Mas, a História não é a necrologia do passado, não é uma lista de nomes, datas e feitos de pessoas mortas. São as questões do presente que orientam a pesquisa do passado. Assim, o passado interessa na medida em que ajuda a responder nossas perguntas sobre o que vivemos hoje.

Os estudos históricos têm se concentrado em compreender questões atemporais, por exemplo, as formas pelas quais pessoas, comunidades e nações interagem; a natureza do poder e da liderança política; as dificuldades do governo e da gestão econômica; o impacto da guerra e do conflito nas sociedades; a interferência de valores e fundamentos religiosos nas sociedades; as relações entre as diferentes classes, riqueza, capital e trabalho etc. Temas e questões como essas nunca morrem, apenas as pessoas, os lugares e os detalhes mudam.

A História fornece um reservatório das múltiplas experiências humanas em espaços e tempos diferentes – a única base de evidências reais de como as sociedades se comportam. Se a nação está em paz, como avaliar o impacto de uma guerra sem recorrer à História? Como avaliar a ameaça contra a democracia sem usar nossos conhecimentos ou experiências de ditaduras do passado?

Esse é o sentido em conhecer o passado: fornecer referências para compreender como as pessoas agem, que fatores as impulsionam crescer e mudar, ou porque resistem às mudanças, o que impacta nossas vidas de maneira positiva e negativa. Esse conhecimento amplifica nossa compreensão sobre o mundo moderno e sinaliza outras possibilidades de experiências.

"Em resumo, prestem atenção a esta aula e vocês não serão facilmente enganados 
como os seus pais.", diz a professora de História.

Para que serve a História? Que habilidades ela desenvolve?

Nem todo estudante de História se torna um historiador profissional. Mas, certamente, o estudo da História desenvolve habilidades e competências indispensáveis para qualquer outra ciência e profissão. Comentamos abaixo as habilidades específicas do estudo da História mas que não se limitam a ela, mas são essenciais para outros campos do conhecimento.

1. Extrair evidências e significados em fontes diversas

Pesquisar, localizar e interpretar material escrito, artefatos, fontes orais, digitais e visuais desenvolve as habilidades de extrair informações e interpretações avaliando sua confiabilidade, credibilidade, utilidade, significado e relevância. A capacidade de examinar e confrontar dados variáveis permite distinguir verdade, mentira, manipulação e distorção de fatos e objetivos – habilidade importante para enfrentar os desafios das tecnologias de informação e comunicação.

2. Avaliar interpretações conflitantes

Estudar as sociedades e as experiências humanas é lidar com contradições, ambiguidades, conflitos e interesses divergentes que interferiram no passado. O estudo da História é um laboratório de treinamento para identificar e avaliar situações conflitantes que atuam no presente – na política, na sociedade, na cultura por exemplo – fornecendo subsídios para distinguir objetivos, perceber mudanças ou continuidades e identificar tendências.

3. Analisar mudanças e continuidades

A História não estuda o passado morto e acabado, mas as mudanças que ocorreram, suas causas e desdobramentos, sua magnitude e importância no processo histórico. É uma habilidade essencial para entender nosso mundo atual em constante mudança. Há um consenso, hoje, de que o trabalhador do futuro deve ser capaz de se adaptar à mudança. As transformações ocorridas no passado fornecem pistas que ajudam refletir sobre as mudanças exigidas no presente. O que aconteceu com os artesãos urbanos na Revolução Industrial? Como as famílias se recompuseram depois de guerras ou epidemias devastadoras?

À luz da História, é possível avaliar se um determinado fator é gerador de mudanças profundas ou superficiais. O aprendizado da História permite avaliar, por exemplo, até que ponto uma inovação tecnológica, uma nova política educacional ou uma rebelião social são, de fato, geradores de mudanças significativas ou só reacomodaram velhas estruturas.

4. Relacionar e confrontar diferentes tipos de evidências

O estudo da História desenvolve uma visão mais ampla dos acontecimentos ao estabelecer conexões entre fatores diversos buscando entender como eles interagem. A História lida, também, com diferentes interpretações e versões de sujeitos, culturas e povos. Isso possibilita confrontar pontos de vista, fazer inferências claras e pertinentes, estabelecer inter-relações e compreender situações mais complexas em que é necessário “olhar a floresta e não somente a árvore” – uma habilidade fundamental em nosso mundo globalizado que não comporta explicações simples nem únicas.

5. Produzir conhecimento e resolver problemas

A pesquisa histórica é, muitas vezes, um salto no escuro. À medida que se aprofundam no passado, os historiadores quase sempre encontram perguntas não respondidas, informações obscuras, datas e nomes que não correspondem, ausência ou inconsistência de dados, documentos incompletos ou inexistentes. É como montar um gigantesco quebra-cabeça sem imagem para servir de guia. O pesquisador deve avaliar suas evidências, selecionar informações relevantes e confiáveis, buscar referências para as peças que faltam em sua pesquisa, formular hipóteses, desenvolver argumentos apoiados em teorias confiáveis – enfim, o estudo da História produz conhecimento para solucionar problemas apontados pelas grandes perguntas que norteiam o trabalho do historiador.

6. Utilizar múltiplos conhecimentos de diferentes ciências

A História se interessa por todos os aspectos da vida humana – política, economia, cultura, cotidiano, infância, mentalidades, artes, guerras, trabalho etc. – o que abre um enorme leque de temas de pesquisa e de abordagens. Para isso, a pesquisa histórica utiliza conhecimentos e ideias de outras ciências como a Antropologia, a Geografia, a Psicologia, a Linguística etc.

Além disso, todos os campos do conhecimento têm a sua história o que torna a História uma ciência de múltiplas dimensões: há uma História da Música, da Matemática, das Ciências, da Medicina, do Direito, da Educação, da Religião e, até mesmo, a História da História.  Essa habilidade torna o historiador e o estudante de História mais apto para “pensar fora da caixinha” unindo criatividade ao pensamento científico e crítico.

7. Argumentar e expressar-se em diferentes linguagens de forma clara e fundamentada

A História trabalha com uma enorme diversidade de documentos: textos, fotografias, caricaturas, gráficos, tabelas, mapas, artefatos, áudios, artes plásticas etc. Isso habilita o historiador a utilizar diferentes linguagens, a ler criticamente e a questionar todo material que examina seja uma notícia de jornal, uma entrevista, uma carta medieval ou uma caricatura do século XIX. Em um mundo onde as fake news podem influenciar as eleições, as habilidades dos historiadores são mais do que nunca necessárias.

Com base no material coletado e analisado, o historiador formula e defende suas ideias com afirmações claras, ordenadas, fundamentadas e compreensíveis. Isso pode ser feito em diferentes linguagens e plataformas: livros, ensaios, artigos, resenhas, blogs e, também em exposições orais, vídeos, entrevistas etc. A História desenvolve uma forte capacidade de comunicação, de questionamentos, formulação de hipóteses e argumentação.

Conclusão

O pensamento crítico e criativo, e a capacidade de investigação criteriosa, entre outras habilidades desenvolvidas pelo estudo da História, têm sido requisitos importantes na seleção de candidatos para as grandes empresas de tecnologia dos Estados Unidos e do Reino Unido, levando-as a empregarem estudantes de humanidades junto aos graduados em engenharia e ciência da computação.

A importância da História, contudo, é muito mais ampla do que as habilidades que ela desenvolve. Ela nos ilumina sobre nossa rica herança cultural e é essencial para despertar e fortalecer os laços de coesão de uma comunidade. A consciência histórica, essa memória coletiva e individual de pertencimento, é um elemento crucial para superação de marcas do passado que levaram a desigualdades, preconceitos e estigmas sociais.

A História instiga o indivíduo a questionar seu próprio mundo e a buscar maneiras de torná-lo melhor. É um repositório de experiências humanas que fornece uma compreensão real da interdependência entre sociedades. Inspira a reconhecer a importância da ética, da tolerância, da empatia, do acolhimento e valorização da diversidade.

Por fim, como lembra Marc Bloch, “mesmo que julgássemos a história incapaz de outros serviços, seria certamente possível alegar em seu favor que ela distrai (…).  Pessoalmente (…) a história sempre me divertiu muito”. Isso não deve ser subestimado: um dos fundamentos da atividade intelectual consiste no prazer, na satisfação derivada do conhecimento – o que responde porque todo historiador, professor ou estudante de História é apaixonado pelo seu estudo.

Fontes:

BLOCH, Marc. A Apologia da História ou o ofício do historiador. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 2002.

DUBY, Georges. O historiador, hoje. In: DUBY, Georges; ARIÈS, Philippe; LADURIE, E. L. R.; LE GOFF, Jacques (Orgs.). História e Nova História. Lisboa: Teorema, s/d, p. 07-21.

LE GOFF, Jacques. História e Memória. Campinas: Unicamp, 1994.

MARROU, Henri-Irenée. Sobre o conhecimento histórico. Rio de Janeiro: Zahar Editores, 1978.

SCHMIDT, M. A. O ensino de História e os desafios da formação da consciência histórica. In. MONTEIRO, Ana Maria (Org.). Ensino de História: sujeitos, saberes e práticas. Rio de Janeiro: Mauad X: Faperj, 2007.

STEARNS, Peter. Why study History? (1998). American Historical Association. Disponível em: <https://www.historians.org/about-aha-and-membership/aha-history-and-archives/historical-archives/why-study-history-(1998)>. Acesso em: 11 dez. 2018.



quarta-feira, 18 de julho de 2018

A historiografia na era da informação: como a ciência dos dados está transformando a historiografia? (*)

(*) Texto escrito por Felipe Palt [1] e originalmente publicado no Estado da Arte, blog vinculado ao jornal O Estado de S. Paulo, no dia 12 de julho de 2018. Para ver o texto conforme publicado no site de origem, clique aqui.


 Figura de distâncias a partir de Roma durante o verão usando o site, citado no texto, ORBIS: The Stanford Geospatial Network Model of the Roman World.


No artigo “Regressão, classificação, e aprendizado por máquina” [2], falamos de algumas técnicas fundamentais para a interpretação de dados através da estatística. Hoje, com bilhões de dados obtidos por computadores entramos no mundo do “big data”, que exige técnicas semelhantes, porém mais poderosas. Mas, antes de discutir o chamado aprendizado por máquina, vamos lembrar que em muitas áreas de estudo a dificuldade é justamente na obtenção de dados para correlacionar, classificar, e interpretar. Vamos considerar 3 exemplos: a Grécia antiga, o Império Romano, e o Brasil colonial.

A historiografia tradicional sobre a Grécia antiga se baseia nas narrativas da época, especialmente atenienses, ou lança mão de classificações esquemáticas sobre modos de produção. Segundo ela, as massas de escravos e camponeses pobres sustentavam filósofos, oradores, e generais, cujas repetidas guerras terminam por destruir a liberdade das cidades-estado. Não é completamente falsa, mas a Grécia com seus governos descentralizados tinha sociedades urbanas e economia comercial, de um tipo que reaparece na Itália renascentista e na Holanda no século XVII. O livro The Rise and Fall of Classical Greece, do professor Josiah Ober, da Universidade Stanford, observa que foi uma sociedade próspera para os padrões pré-industriais, mesmo tendo regimes escravistas com participação popular limitada: a própria Grécia só alcança o pico clássico de população e renda no século XX. Uma análise difícil de fazer estudando apenas os textos, possibilitada pela agregação de informações e dados.

Os textos clássicos narram a guerra do Peloponeso e o fim da hegemonia ateniense, sugerindo a decadência de uma civilização que na verdade continua após o século de Péricles e se expande durante o período helenístico. O recente levantamento An Inventory of Archaic and Classical Poleis, de Mogens Hansen e Thomas Nielsen, da Universidade de Copenhagen, no qual o livro de Ober se baseia, agrupa informações sobre mais de mil cidades. A agregação da informação mostra que a peculiar mistura de competição e cooperação entre cada polis grega cria inovações técnicas, comerciais, militares, e de governança, conduzindo a uma prosperidade duradoura para os padrões da época, que não fica limitada às cidades melhor documentadas. O estudo da história antiga pode ser feito com relativa abundância de dados, acessíveis até para o historiador que não domina as línguas clássicas.

Já a história do Império Romano era contada como uma série de guerras de expansão, seguidas do declínio e queda. A população desempregada da cidade seria sustentada pela distribuição de trigo produzido nas províncias conquistadas pelas legiões imperiais. Mas o destacado economista Peter Temin, do MIT, sustenta em The Roman Market Economy que o mundo romano utilizava sofisticadas práticas econômicas que não podem ser rotuladas como um modo de produção arcaico. O livro usa as ferramentas da economia e estatística para mostrar que comércio e mercados foram cruciais para a prosperidade da Roma antiga. Sim, era um império escravagista. Mas seu padrão de renda foi semelhante ao da Europa antes da revolução industrial. A metodologia, com tratamento estatístico de preços, tanto de mercadorias como do trabalho, consegue superar as limitações da escassez de dados, mostrando que as trocas não se faziam em termos fixados pelo dirigismo imperial.

O argumento de Temin pode ser entendido considerando as técnicas de regressão do nosso artigo anterior. Simplificando bastante: os preços do trigo e outras mercadorias no Mediterrâneo estavam correlacionados entre si, variando conjuntamente em tempos de abundância e escassez, e entre si de acordo com o custo de transporte para o maior mercado consumidor, a própria Roma. A hipótese de que os preços eram fixos ou então determinados pelo dirigismo imperial é estatisticamente inverossímil, sobrando como explicação mais razoável a que descreve o império como uma economia de mercado.

O livro de Temin, talvez um pouco controverso entre historiadores, também faz comparações entre a escravidão antiga romana e a moderna nos Estados Unidos e no Brasil. Essa instituição, sempre opressiva, se apresenta com diferentes graus de coação e de violência nas diversas sociedades que a adotam. Mesmo escravizado o ser humano possui autonomia, e pode ser persuadido a trabalhar, seja por ameaças de castigos, seja pela recompensa da liberdade, que era comum em Roma, ocasional no Brasil urbano, e raríssima na América do Norte.

Outros aspectos quantitativos do comércio imperial podem ser visualizados no “ORBIS: The Stanford Geospatial Network Model of the Roman World” através do site http://orbis.stanford.edu. Lá aprendemos, por exemplo, que no auge do império uma viagem entre Alexandria e Roma no outono durava 2 semanas, ficando o custo do transporte de 1 kg de trigo em 2 denários (o denário era uma moeda de prata de aproximadamente 4g, mais ou menos o peso de meia pataca ou 160 réis do nosso período imperial). Para comparação, um artesão em Roma recebia 12 sestércios, no total equivalentes a 3 denários, por dia de trabalho. No Mediterrâneo o comércio era mais rápido do que o correio e a alfândega brasileira nos permitem hoje! Já o comércio pesado atlântico ou transalpino era proibitivo – e no inverno uma legião romana poderia demorar mais de um mês para chegar em Londinium ou na Colônia Agripina, nos limites do Império, o que ajuda a entender o contexto das invasões bárbaras.

E no Brasil? Qual a realidade que se oculta ao som do mar e à luz do céu profundo?

Os portugueses apenas se interessaram pelas regiões costeiras. Somente com a descoberta do ouro os olhares inquisitivos da Coroa se voltam ao interior, e mesmo assim não enxergam muito mais do que os minerais preciosos. Informações escritas sobre o Brasil colonial estão espalhadas nos documentos das câmaras de vereadores das vilas do interior, que mantiveram eleições e sistemas de governo com uma boa dose de legitimidade durante todo o período. Especificamente sobre São Paulo, confira A Capital da Solidão, do jornalista Roberto Pompeu de Toledo. Até recentemente, essas informações não eram de fácil consulta. Por causa da proibição da imprensa e da escassez de documentação escrita durante o período colonial, por muito tempo consideramos que o interior do Brasil tinha uma “economia de subsistência” primitiva, que sustentava os poucos habitantes no nível da fome.

Conforme lemos na História da Riqueza no Brasil de Jorge Caldeira, entrevistado aqui no Estado da Arte em 6 de abril [3], a agregação de dados obtidos em pesquisas multidisciplinares mostra que não é bem assim. Já a partir dos primórdios da época colonial o Brasil formava uma unidade, construída a partir de uma aliança entre leis portuguesas e práticas indígenas, especialmente dos povos tupis, e também com a forte influência africana. A economia brasileira, que não se resume ao comércio colonial, supera a da metrópole, e talvez até se compare à economia dos Estados Unidos na época de sua independência – com as ressalvas de que a colônia portuguesa já era uma nação de dimensões continentais, e que sua acumulação de capital humano e intelectual era restrita pelas deficiências de educação e pela censura à imprensa.

Os historiadores hoje conseguem combinar informações de vários tipos e tratar a largura que a terra do Brasil tem para o sertão, sem contentar-se em andar arranhando ao longo do mar como caranguejos. Ainda há muitas questões a perguntar e a responder sobre nossa história, usando a estatística clássica e as ferramentas não-lineares, às quais voltaremos mais tarde. Talvez seja apropriado concluir com a frase de Colin McEvedy na introdução de uma das primeiras edições de The Penguin Atlas of Ancient History: “A história sendo um ramo das ciências biológicas, sua expressão última será matemática”.

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[1] Felipe Palt é professor no Laboratório de Automação & Controle da Escola Politécnica da Universidade de São Paulo. Estudou engenharia elétrica na USP e na Universidade Yale.