quarta-feira, 21 de agosto de 2019

O surgimento dos totalitarismos no século XX

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Prof. Dr. Rodrigo F. Dias



quarta-feira, 12 de junho de 2019

A Crise de 1929

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quinta-feira, 6 de junho de 2019

A Crise da Primeira República no Brasil (1914-1930)

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terça-feira, 28 de maio de 2019

Aspectos gerais da Primeira República no Brasil (1889-1914)

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terça-feira, 7 de maio de 2019

A luta contra o esquecimento dos expurgos stalinistas (*)


(*) Este texto foi escrito por María R. Sahuquillo e foi originalmente publicado no site do jornal El País, no dia 08 de abril de 2019. As imagens que ilustram o texto também foram retiradas da publicação original do site do jornal. Para ver o texto conforme o publicado no site de origem, clique aqui (acesso em: 09 abr. 2019).

George Shajet segura uma foto de seu avô, um engenheiro que foi alvo de represálias em 1934, em Moscou.

Na casa de George Shajet seu avô era inominável. Um segredo perigoso e aterrador. Ainda hoje, este ator russo de 73 anos, de rosto comprido e olhar triste, tem dificuldades em pronunciar seu nome. “Pavel Zabotin, engenheiro”, diz, muito sério. Faz poucos anos que constatou o que sempre, no fundo, havia suspeitado. Seu avô tinha sido declarado “inimigo do povo”. Sentenciado e executado a tiros em 1934 por ordem da chamada Troika Especial, a comissão extrajudicial da NKVD (o Comissariado do Povo para os Assuntos Internos da União Soviética, antecessor da KGB). Tinha 45 anos. Desde que soube disso, Shajet investiga seu caso. Busca preencher esses enormes buracos da história familiar. “Preciso saber. E reabilitar sua memória”, salienta.

Pouco a pouco, Shajet coloca sobre a mesa de um esfumaçado café de Moscou o que resta de seu avô Pavel. Um par de retratos fotográficos de época, que o mostram como um homem sério, de rosto arredondado e bigode. A foto de uma reunião familiar. Um cartão de visitas. É tudo. Depois de achar o nome do engenheiro retaliado nos densos arquivos da ONG de direitos humanos Memorial, que se dedica a preservar a memória histórica dos crimes do stalinismo, Shajet pediu informações a todas as instituições oficiais. Sem sucesso. Agora, suas esperanças vão se apagando. Há poucas semanas, vários tribunais russos ampararam o direito do Serviço Especial de Segurança (FSB) — guardião dos documentos da NKVD — de negar o acesso a esses arquivos. E determinaram que fossem lacrados.

Nesses documentos estão os nomes dos verdugos de Pavel Zabotin. E de quem condenou ao Gulag o avô de Serguei Prudovski, cuja solicitação à FSB desencadeou uma das derrotas judiciais. O acesso a esses documentos “poderia prejudicar tanto os familiares vivos dos funcionários que assinaram os protocolos como a avaliação objetiva do período histórico 1937-1938”, segundo a principal assessora jurídica da FSB, Yelena Zimatkina. Ou seja, os anos do Grande Expurgo, conhecidos na Rússia moderna como o Grande Terror (ou o 37), quando as ondas repressivas do stalinismo alcançaram seu apogeu.

Mais de um milhão de pessoas foram fuziladas. Quatro milhões, enviados a campos de trabalho. Quase 6,5 milhões foram deportados durante os expurgos da ditadura de Josef Stálin (1878-1953). Socialistas, anarquistas, membros do Partido Comunista Soviético, opositores, qualquer que desse sinais de ser um “inimigo do povo”.

Fotos e fichas de expurgados na época soviética nos arquivos da ONG Memorial, em Moscou.

“Ao todo são quase 12 milhões de pessoas que deveriam ser reabilitadas”, diz Yan Rachinski, diretor da Memorial. Em seu escritório acumulam-se várias caixas, que são só uma pequena parte da enorme base documental que a organização vem reunindo ao longo dos anos. Para muitos, é a única possibilidade de conhecer o passado. A lei obriga a desclassificar os documentos que têm mais de 75 anos. Mas na prática, os arquivos da NKVD e suas troikas — as comissões extrajudiciais tinham três membros que, depois de uma investigação simplificada e sem julgamento, emitiam sentenças e condenações — são quase inacessíveis. “E a situação é cada vez mais difícil”, observa o reputado historiador.

Em meados de março, um tribunal de Novosibirsk (Sibéria) negou ao pesquisador Denis Karagodin o acesso a documentos do caso de seu bisavô, Stepan Karagodin, e de outros retaliados. Uma medida grave. Até então, havia livre acesso aos arquivos estatais — que armazenavam os dossiês do Partido Comunista, os únicos liberados — como o de Novosibirsk, que prepara agora a instalação de uma estátua de Stálin, financiada e reivindicada pelo Partido Comunista local. Uma bofetada na terceira maior cidade da Rússia, que o ditador visitou só uma vez e que já acolhe um monumento aos retaliados políticos.

Serguei Prudovski, empresário e historiador, investiga a história de seu avô.

“[O FSB] não quer que se demonstre que, com acusações inventadas e julgamentos sem garantias, milhões de pessoas foram executadas e duramente condenadas”, diz, indignado, o historiador e empresário Sergei Prudovski. Seu avô, Stepan Kuznetsov, foi um dos chamados russos de Harbin, cidadãos enviados para construir a Ferrovia do Leste da China. Ao voltarem, em 1935, foram recebidos como heróis. Dois anos depois, começou sua repressão. Foram considerados espiões ou agentes estrangeiros do Japão ou da Alemanha, e milhares deles foram executados.

Kuznetsov foi parar nos campos de trabalhos forçados. Lá passou quase 20 anos. De volta a Moscou, relatou em dois cadernos de memórias a penosa vida no Gulag. Prudovski encontrou-os. E desde então se dedica a investigar o que aconteceu com os russos de Harbin. Seu avô, conta em seu escritório, num bairro dos subúrbios de Moscou, tinha compilado uma lista de 20 nomes de outros retaliados. E daí foi puxando o fio da meada. E não se cansará de fazê-lo. “Vou percorrer todas as instâncias para ter acesso aos casos”, afirma.

A recuperação da memória histórica é um tema enormemente espinhoso na Rússia, que ainda vive à beira de uma amnésia histórica. O corpo de Stálin foi tirado do mausoléu de Lênin em 1961. Entretanto, ainda está enterrado na praça Vermelha, diante da muralha do Kremlin. E a cada ano, no aniversário de sua morte, dezenas de pessoas vão até lá deixar flores.

Funcionária observa os arquivos da ONG Memorial, na capital russa.

No país euroasiático, 19% dos jovens dizem não saber nada sobre a repressão stalinista, e 26% têm dificuldades de caracterizá-la, segundo uma pesquisa de 2016 do Centro Levada, uma instituição independente. E, embora nos últimos anos tenham sido erguidos monumentos em memória das vítimas — o presidente Vladimir Putin inaugurou um deles em 2017 — e colocadas algumas placas nas casas onde viveram os retaliados, as autoridades evitam o debate. “Putin condena honestamente as repressões, mas reconhecer que o Estado era criminoso — e na época soviética de fato era — é, para ele, uma forma de questionar o Estado de hoje”, opina o presidente da ONG Memorial, que exige o acesso total aos documentos da NKVD.

Ekaterina Vinokurova, do Conselho de Direitos humanos da Rússia, não tem tanta certeza. “Pode-se divulgar o nome das vítimas e seus casos, mas tenho dúvidas quanto aos membros das troikas e os executores. Isso pode deixar a sociedade fragmentada e criar um clima de ódio”, considera a ativista, que há alguns dias também colabora com a emissora estatal RT.

Yan Rachinski, presidente da ONG Memorial.

A Memorial — que foi definida pelas autoridades como um “agente estrangeiro”, o que dificulta seu trabalho — não tem notícia de que algo assim tenha ocorrido alguma vez. Na verdade, há casos de familiares de executores que contataram parentes de retaliados para lhes pedir perdão. Como no caso da família Karagodin, que recebeu uma carta de desculpas de uma das netas de seu verdugo.

“Estão enterrando a memória histórica”, diz, aflito, o ator Shajet. Com os poucos dados que conseguiu e alguns fragmentos de conversas familiares que ouviu na sua infância, desenhou a figura de Pavel Zabotin. O homem, que tinha sido engenheiro militar e depois engenheiro civil, foi detido por supostamente roubar material numa das obras onde trabalhava para depois vendê-lo, conta Shajet quase aos prantos: “Mas as troikas da NKVD não se ocupavam desses crimes. Se a verdade for descoberta, me doerá, mas quero saber. É a história da minha família, da minha pátria; porque minha família é minha pátria”.



quinta-feira, 2 de maio de 2019

A Revolução Russa de 1917

Prezados,

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Prof. Dr. Rodrigo F. Dias



terça-feira, 9 de abril de 2019

Ajuda canarinha (*)

(*) Texto escrito por Marcello Scarrone e originalmente publicado no site da Revista de História da Biblioteca Nacional no dia 01 jul. 2014.

No mapa dos países beligerantes da Primeira Guerra Mundial, o Brasil é um dos últimos a fincar sua bandeirinha. É em 26 de outubro de 1917 que o país reconhece e proclama “o estado de guerra iniciado pelo Império Alemão contra o Brasil”, como confirma o decreto aprovado naquele dia pelo Congresso. Desde abril, com efeito, as relações com a Alemanha estavam rompidas e, no mês seguinte, a neutralidade brasileira revogada: tudo devido aos repetidos ataques a navios comerciais nacionais por submarinos germânicos, o último dos quais, em meados de outubro, provoca a entrada do Brasil no campo de batalha. 

Pouco mais que simbólica, porém, pode ter sido a participação brasileira no conflito. O medo de deixar desprotegido o sul do país impediu a mobilização de grandes contingentes militares, aliado a certa desorganização e despreparo. Assim, além de repassar para a França parte dos 45 navios alemães apresados nos portos nacionais, o Brasil resolveu concentrar sua colaboração com as forças da Entente em três frentes, já no ano de 1918.

Para apoiar o esforço bélico aliado, uma primeira iniciativa foi o envio de um grupo de oficiais para a Europa. Treze aviadores fizeram instrução na Inglaterra e oito deles integraram uma esquadrilha com pilotos britânicos, na Royal Air Force, empenhados em missões de patrulhamento antissubmarino. Outros oficiais combateram no front ocidental, servindo principalmente no exército francês, como José Pessoa Cavalcanti de Albuquerque, comandante de cavalaria, que chegou também a ter familiaridade com os tanques durante as operações militares e, em seguida, favoreceu a importação para o Brasil deste tipo de material bélico blindado. 

A segunda iniciativa responde pelo codinome de DNOG, isto é, Divisão Naval em Operações de Guerra, uma divisão criada pela Marinha com a finalidade de participar do patrulhamento do litoral ocidental da África contra a ação dos submarinos alemães, liberando também desta incumbência navios britânicos a fim de que estes pudessem operar em áreas de maior necessidade. 

Subordinada, portanto, à Marinha de Sua Majestade, a pequena divisão brasileira, composta de quatro contratorpedeiros e dois cruzadores, além de um navio-tênder e um rebocador, começou sua missão em maio de 1918, com 1.500 homens às ordens do contra-almirante Pedro Max Fernando de Frontin. Entre vários problemas mecânicos – os equipamentos das embarcações eram em boa parte obsoletos e de pouca eficiência – a pequena esquadra alcança a costa africana, fundeando em Dakar no final de agosto. Ali, o que deveria ser uma simples e rápida etapa para abastecimento e reparos, transformou-se numa longa e atormentada odisseia. No começo de setembro, a gripe espanhola, que já estava se difundindo na Europa e no Mediterrâneo, atinge a tripulação brasileira, causando mais de cem mortes, provocando o repatriamento de várias dezenas de marinheiros e procrastinando para fins de outubro a retomada das operações. 

A chegada da divisão em Gibraltar, reduzida em efetivos e embarcações (somente um cruzador e três contratorpedeiros), após ter escapado fortuitamente de um submarino inimigo que acabara de afundar o navio inglês Britannia, acontece na véspera do fim do conflito. Era o dia 10 de novembro. Depois de mais de sete meses de navegação, dessa vez visitando a convite alguns países europeus, regressa ao Brasil a missão naval, cuja luta mais severa, afinal, foi contra o vírus da espanhola. 

Em agosto de 1918 parte do Rio para a Europa a terceira das iniciativas brasileiras de participação no conflito. Era a Missão Médica Militar, destinada à França. Sua criação vinha ao encontro do convite do próprio ministro da França no Rio de Janeiro, o poeta e diplomata Paul Claudel, que tinha solicitado ao Brasil um reforço médico junto às tropas no front. Formada por oficiais, soldados e civis, a delegação contava com cerca de 130 membros. Atingido pela gripe espanhola, após uma ou outra escala em portos do litoral africano, o grupo perde vários de seus membros, vítimas da doença, e somente no fim do mês de setembro consegue alcançar Marselha, e depois Paris, de onde os componentes da missão são redistribuídos em várias cidades e hospitais franceses, tendo entre suas incumbências, além do tratamento de militares feridos, os cuidados com os muitos civis afetados pela epidemia. 

Uma das realizações da missão é a instalação do Hospital Brasileiro em Paris, adaptando o prédio de um antigo convento jesuíta. Com capacidade de 500 leitos, a unidade é logo destinada ao tratamento de casos de feridos muito graves. Em meados de 1919, o governo brasileiro doa o hospital e suas instalações à Faculdade de Medicina de Paris.

Embora pequena, sua participação militar na guerra permitiu ao Brasil ter parte nas negociações de paz de Versalhes, onde seus pedidos – relativos ao pagamento do café que o estado de São Paulo tinha depositado antes do conflito na Europa e que fora utilizado pelos alemães e quanto à posse dos navios germânicos apreendidos nos portos nacionais, reconhecidos como propriedade brasileira – são atendidos. Com o apoio do presidente dos Estados Unidos, Woodrow Wilson, o Brasil também passa a fazer parte da recém-criada Sociedade das Nações, como membro não permanente do conselho.

BIBLIOGRAFIA:

GAMA, Arthur Oscar Saldanha da. A Marinha do Brasil na Primeira Guerra Mundial. Rio de Janeiro: Capemi, 1982.

GARAMBONE, Sidney. A Primeira Guerra Mundial e a Imprensa Brasileira. Rio de Janeiro: Mauad, 2003.

MAIA, Prado. DNOG: Uma página esquecida da história da Marinha Brasileira. Rio de Janeiro: Serviço de Documentação Geral da Marinha, 1961.

MARTINS, Helio Leôncio. “A Participação da Marinha Brasileira na Primeira Grande Guerra”. In: História Naval Brasileira. Vol. 5. Rio de Janeiro: Serviço de Documentação da Marinha, 1997.

Revista de História da Biblioteca Nacional, nº 37, p. 21-34, outubro 2008.